Abaixo-assinado cobra instalação de CPI; organizações convocam ato no Palácio Buriti na segunda (24), às 17h
Os desdobramentos do escândalo financeiro envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master movimentaram a sociedade civil, que agora pressiona o Governo do Distrito Federal (GDF) pela responsabilização sobre as negociações entre as instituições. A mobilização ganhou força após denúncias de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, operação que foi rejeitada pelo Banco Central.
O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) divulgou um abaixo-assinado que pede a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as negociações. O parlamentar criticou a postura do governador Ibaneis Rocha (MDB), que teria pressionado a Câmara Legislativa, em regime de urgência, para aprovar uma lei que autorizasse a operação — mesmo após alertas técnicos, falta de transparência e negativa do Banco Central.
No texto do abaixo-assinado, que já ultrapassa 6 mil assinaturas, Félix ressalta que o Banco Master acumulava práticas financeiras temerárias e ativos considerados “podres”, tornando a operação altamente arriscada. Para o distrital, a abertura da CPI é fundamental para proteger o patrimônio público, restabelecer a confiança na gestão do BRB e garantir transparência sobre o uso do dinheiro do DF.
A repercussão das investigações levou Ibaneis Rocha a afastar o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Para assumir o comando do banco, foi indicado Nelson Souza, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que deve passar por sabatina na Câmara Legislativa na próxima terça-feira (25).
Ato no Palácio do Buriti na segunda (24)
Diante das revelações da operação que resultou na prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e abalou o sistema financeiro e político de Brasília, organizações sociais e sindicais decidiram reagir. A Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), junto a outros movimentos, convocou um ato público em frente ao Palácio do Buriti, nesta segunda-feira (24), às 17h.
O protesto tem como objetivo defender o patrimônio do Distrito Federal e exigir a apuração completa do envolvimento do GDF na tentativa de compra do Banco Master.
“O governador nunca explicou o interesse em adquirir um banco falido. Ontem tivemos a prisão do dono do Master, denúncias envolvendo o BRB, operações da PF… É uma crise gigantesca. Precisamos dar uma resposta”, afirmou Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF. Ele ainda destacou as ligações políticas entre os envolvidos e a necessidade de transparência total sobre as negociações.
Executivos são soltos, mas núcleo central segue preso
Na noite de quinta-feira, a Justiça autorizou a soltura de dois executivos investigados: André Felipe Maia e Henrique Peretto, que cumpriam prisão temporária. Ambos foram detidos por decisão do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF.
Já Daniel Vorcaro e outros integrantes da cúpula do Banco Master permanecem presos. Eles são investigados por fraudes relacionadas à possível venda do banco para o BRB.
Vorcaro, figura influente na política brasiliense, mantinha relações próximas com autoridades e contratou consultorias de nomes de peso, como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o ex-presidente Michel Temer e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.
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