O Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, celebrado em 25 de novembro, marca o início da campanha global promovida pela ONU para conscientizar, mobilizar e estimular ações efetivas contra todas as formas de violência sofridas por mulheres e meninas. Criada em 2008 pela Secretaria Geral das Nações Unidas, a campanha UNiTE by 2030 tem como lema deste ano o chamado: “Alaranjar o mundo: acabar com a violência contra as mulheres, agora!”.
A cor laranja, adotada simbolicamente pela iniciativa, representa um futuro mais brilhante e livre de violência — uma metáfora de esperança diante de um cenário mundial ainda alarmante.
Dados que preocupam: 1 em cada 3 mulheres já sofreu violência
De acordo com as últimas estimativas da ONU, quase 1 em cada 3 mulheres com 15 anos ou mais já foi vítima de violência física ou sexual ao longo da vida, seja por parceiro íntimo, desconhecido ou ambos. Os dados mostram que, apesar de campanhas, legislações e avanços sociais, os índices permanecem praticamente inalterados na última década.
A realidade expõe uma epidemia silenciosa e persistente, que atravessa fronteiras e reflete padrões estruturais de desigualdade de gênero.
Em Goiás, queda em alguns indicadores, mas aumento da crueldade nos crimes preocupa autoridades
Em território goiano, o cenário segue a mesma linha de complexidade.
O estado registrou redução em crimes como feminicídios e estupros no primeiro semestre de 2025, um movimento considerado positivo pelas autoridades de segurança pública.
No entanto, os dados do segundo semestre — ainda em fase de consolidação — apontam para um fenômeno preocupante: aumento da crueldade e da violência extrema empregada nos crimes contra mulheres. As ocorrências, amplamente repercutidas nas redes sociais e na imprensa, revelam agressões que extrapolam os padrões já conhecidos e demonstram escalada de brutalidade.
Além disso, a inclusão da violência vicária — quando o agressor atinge filhos ou familiares para causar sofrimento à mulher — na Lei Maria da Penha trouxe visibilidade a um tipo de violência que, embora antiga, passou a ser reconhecida e denunciada com maior clareza.
O tema foi debatido neste ano em audiência pública na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, com participação ativa de representantes e defensoras dos direitos das mulheres.
Visibilidade ou agravamento? A reflexão necessária
Diante dos números e das ocorrências que têm ganhado destaque, surge uma questão inquietante:
o cenário atual reflete apenas maior visibilidade proporcionada pelas redes sociais, ou estamos testemunhando um agravamento real, quase simbólico, da violência contra o feminino?
Especialistas apontam que a resposta pode envolver os dois fatores.
Enquanto a amplificação digital expõe casos antes invisibilizados, a recorrência de crimes brutais sugere que a violência contra mulheres também está passando por transformações — muitas vezes, mais violentas e destrutivas.
25 de Novembro: um chamado à ação
A data reforça que o combate à violência contra mulheres não é apenas um compromisso institucional, mas um esforço coletivo.
O laranja das campanhas precisa ultrapassar o simbolismo e se traduzir em políticas públicas efetivas, proteção, denúncia, acolhimento e, sobretudo, mudança cultural.
A violência de gênero não é inevitável — é prevenível.
E enquanto persistir, o alerta deve ser contínuo.

