Um advogado denunciou ter sido vítima de uma emboscada, agressões físicas, sequestro e tentativa de extorsão no município de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. O caso ocorreu na terça-feira (16) e veio à tona após a vítima passar mal dentro de um cartório da cidade, onde conseguiu pedir ajuda. Quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil de Goiás (PC-GO), suspeitas de envolvimento no crime.
A vítima foi identificada como Gilberto de Paula Rezende Júnior. Segundo a Polícia Civil, o advogado foi atraído até a residência de uma suposta cliente para prestar atendimento profissional. No local, ele teria sido surpreendido por três homens, agredido fisicamente e forçado a entrar em um veículo. O objetivo do grupo, de acordo com as investigações, seria obrigá-lo a assinar e reconhecer firma em um documento que o responsabilizaria por uma suposta dívida de aproximadamente R$ 600 mil.
Em entrevista, Gilberto relatou que costuma realizar atendimentos domiciliares e que o contato inicial foi feito por uma mulher que alegava dificuldades de locomoção e buscava orientações sobre um imóvel. Pouco depois do início da conversa, um homem entrou no local — apontado pelo advogado como ex-marido de uma antiga cliente — e a situação teria mudado drasticamente.
O advogado afirmou que o conflito teria relação com um processo antigo envolvendo um imóvel financiado pela Caixa Econômica Federal. Segundo ele, o homem acreditava que teria direito a receber um alto valor em uma ação judicial, mas acabou perdendo o processo. “Ele achava que ia ganhar muito dinheiro e me responsabilizou por um prejuízo que, pela lei, não existia”, declarou.
Ainda conforme o relato, Gilberto foi agredido, teve o celular tomado, contas bancárias acessadas e valores retirados. Ele também afirmou ter sido ameaçado, inclusive com intimidações contra seus familiares. “Disseram que estavam com a minha esposa e que, se eu não assinasse um documento no cartório, fariam mal a ela”, relatou.
Mal súbito e pedido de socorro
Durante o deslocamento até o cartório, o advogado passou mal e chegou a pedir ajuda em um posto de combustíveis, mas não conseguiu acionar a polícia. Ao chegar ao cartório, desmaiou antes mesmo de ser atendido.
O Corpo de Bombeiros informou que encontrou a vítima consciente, orientada e verbalizando, porém com sinais de forte abalo emocional e taquicardia. Ele recebeu atendimento no local e foi encaminhado ao Hospital Estadual de Trindade (Hetrin). A Polícia Militar acompanhou a ocorrência e assumiu o caso na unidade de saúde.
Segundo o advogado, foi após a chegada dos bombeiros que ele conseguiu denunciar o sequestro. “Quando vi os socorristas, me senti seguro e falei que estava sendo sequestrado”, afirmou.
Prisões e investigação
De acordo com o delegado Rafael Borges, responsável pelo caso, quatro suspeitos foram presos em flagrante na madrugada de quarta-feira (17), pelo crime de extorsão mediante sequestro.
“Inicialmente foram identificados quatro suspeitos, que já foram presos. Há informações sobre a possível participação de outras pessoas, que ainda não foram identificadas”, explicou o delegado.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e reunindo provas para esclarecer completamente a dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos. Os presos permanecem à disposição da Justiça.
Debate: qual o papel da OAB?
O caso reacende o debate sobre a crescente violência contra profissionais da advocacia em Goiás e o papel da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) diante de situações como essa. Especialistas e profissionais do Direito questionam se a entidade tem atuado com a firmeza e agilidade necessárias para proteger a classe.
Atualmente, a OAB-GO tem ampliado sua participação em políticas públicas e parcerias institucionais com o Estado. Para parte da advocacia, esse tipo de alinhamento pode enfraquecer o papel histórico da Ordem como órgão fiscalizador da sociedade civil e defensor intransigente das prerrogativas dos advogados. Para outros, a aproximação fortalece o diálogo institucional e amplia a capacidade de atuação da entidade.
👉 Na sua opinião, qual deve ser o papel da OAB em casos de violência contra advogados?
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