Home OpiniãoDr. Carlos Lino crítica a falta de pessoas Trans nas campanhas de câncer de prostata

Dr. Carlos Lino crítica a falta de pessoas Trans nas campanhas de câncer de prostata

by Fala ai Goiás

O médico Carlos Lino usou as redes sociais para chamar atenção para uma lacuna ainda presente nas campanhas do Novembro Azul, voltadas à prevenção do câncer de próstata: a ausência de travestis e mulheres trans nas peças de divulgação. Ele lembrou que o câncer de próstata afeta todas as pessoas que possuem próstata, independentemente de identidade de gênero, reforçando a necessidade do diagnóstico precoce.

Lino questionou por que pessoas trans seguem invisíveis nas campanhas, já que o câncer costuma surgir a partir dos 50 ou 60 anos — idade à qual muitas pessoas trans sequer chegam, devido à violência, às desigualdades sociais e à exclusão dos serviços de saúde.
“Estão esperando que elas não vivam até essa idade?”, provocou. Para ele, o tema exige mais inclusão, responsabilidade e representatividade nas políticas de saúde pública.

Racismo estrutural na saúde

O debate sobre exclusão no Novembro Azul se soma a outra crítica recente feita pelo médico e influenciador Cezar Black, no Dia da Consciência Negra:
“A medicina é branca, portanto, não inclui mais da metade da sociedade brasileira.”

A afirmação dialoga com dados preocupantes. No Brasil, homens negros têm maior risco de desenvolver e morrer por câncer de próstata, com uma incidência até 11% maior em comparação com homens brancos. Além disso, cerca de 60% dos diagnósticos ocorrem em homens negros.

Entre os fatores que contribuem para essa maior mortalidade estão:
• tumores potencialmente mais agressivos em parte dos casos;
• diagnóstico tardio;
• menor acesso a exames de rastreamento, como o PSA;
• baixa representatividade em ensaios clínicos;
• acesso desigual a tratamentos adequados.

O conjunto desses elementos reforça o impacto do racismo estrutural na saúde brasileira e evidencia um cenário em que, para muitos, o diagnóstico chega tarde demais.

Homens trans seguem invisíveis nas estatísticas

Se a desigualdade racial já é evidente, outro grupo sequer aparece nas pesquisas.
Homens trans não são citados em praticamente nenhum estudo brasileiro sobre câncer de próstata.

Atualmente, não existem dados públicos, estatísticas oficiais ou pesquisas consolidadas que indiquem a incidência ou a mortalidade por câncer de próstata nessa população. O foco das campanhas e estudos permanece restrito a homens cisgêneros — brancos e negros.

A ausência de informações reforça a exclusão de pessoas trans do planejamento em saúde e impede a construção de políticas públicas baseadas em evidências.

A pergunta que fica

Diante desse cenário, o questionamento levantado pelos profissionais faz eco:
Existe preconceito até na hora de se tratar?

A falta de representatividade, a ausência de dados, a negligência institucional e as desigualdades raciais sugerem que, para muitos brasileiros, o acesso à saúde ainda é atravessado por barreiras estruturais que vão além do campo médico — alcançando a esfera social, política e histórica.

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